Você reconhece o abuso que sofreu na infância?

É muito difícil escrever sobre esse tema, pois falar de abusos na infância é mexer em algo que pode nos machucar muito. Mas isso ainda é muito presente em nossa sociedade. Muito mais do que você imagina, acredite!

Quem sofreu violência na infância, sendo ela física, emocional e\ou sexual, pode carregar traumas psíquicos durante toda sua existência, traumas esses que podem interferir em muitos aspectos da vida.

Muitas pessoas não conseguem identificar que determinada situação vivida na infância foi um abuso.

Essa descoberta pode levar anos – décadas, até vir à tona, e quando vem, normalmente é porque o adulto, à partir da história de outra pessoa, nota que vivenciou algo semelhante, e então percebe que aquela situação não era comum, mas sim uma violência – um abuso sexual.

A criança, em seu processo de formação do pensar e saber, muitas vezes, não consegue entender a diferença entre o carinho e o abuso. Essa diferença acontece mais adiante, na adolescência ou vida adulta. Quando a descoberta acontece, o sentimento de culpa, responsabilidade, e impotência vêm à tona. Nesse momento, o adulto inicia uma briga consigo mesmo, acreditando que poderia ter feito algo, e na maioria das vezes se culpando, se responsabilizando e se punindo por não ter contado a alguém na ocasião.

E então que, entramos em uma questão muito atual: A culpa nunca é da vítima.

Quando digo que a culpa nunca é da vitima, quero lhes dizer que devemos pegar o que é nosso para nós, e dar ao outro o que é dele. Ou seja, a inocência é nossa, e a culpa, é do agressor.

O mais delicado de tudo isso é que, na maioria das vezes, aquele que abusa é quem menos esperamos e quem mais confiamos, são de modo geral, aqueles que estão mais próximos, como pais, tios, irmãos, amigos da família e cuidadores em geral. Viver ao lado de quem causou uma das maiores feridas da sua vida é doloroso e confuso.

Para quem vivenciou o abuso, é muito difícil falar sobre ele, por isso tratamos cada paciente como único, respeitando seus limites e possibilidades. E através de uma escuta acolhedora, abrimos espaço para que o paciente conte suas histórias, e juntos, vamos compreendendo suas questões, e ganhando mais autonomia para ultrapassarmos algo que dificilmente será apagado.

Felipe Maronesi
Psicoterapeuta Fenomenólogo
psicólogo@felipemaronesi.com.br
(11) 99505 6102

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