A angústia frente às incertezas em tempos de crise.

É fato de que estamos vivenciando algo pelo qual jamais pensaríamos passar. Até então, tais situações de crise eram vistas apenas nos livros de história e, eventualmente, em séries televisivas ou no cinema. Pois bem, agora estamos vivendo, participando e construindo a real história, uma pandemia mundial está ai. E que peso isso tudo tem, não?

Estávamos acostumados a viver de forma automática, simplista e sempre produtiva e agora nos deparamos com uma circunstância em que não produzir e ficar em casa é a melhor saída. Mas será que o fato de estarmos tão condicionados a produzir e sermos ativos, não nos faz ficarmos “perdidos” diante da situação de fazer nada? Se sim, é totalmente compreensível que você se sinta assim, visto que o ritmo de vida adotado e valorizado era justamente o de estar em atividade e produzindo o tempo todo.

Logo, tal situação pode nos provocar diversas sensações, emoções e sentimentos até então desconhecidos e não vivenciados. Uma dessas emoções pode ser caracterizada como uma espécie de angústia existencial, ou seja, uma emoção que “nos coloca em cheque”, nos coloca frente nossa “incapacidade” e nos possibilita perceber o nada diante de tantas incertezas.

Como lidar com isso, então? Seria uma tarefa fácil?

Pois bem, lidar com incertezas nos leva a um movimento de contato conosco, contato com nossas vontades, nossos desejos, com o nosso mais profundo EU. E quando bem administrado, pode nos trazer grande enriquecimento pessoal. Quando digo bem administrado, me refiro ao movimento de pararmos, refletirmos e buscarmos nos conectar com nosso eu e com nosso interior de forma a compreender a situação a nossa volta e nos cobrarmos menos, além de percebermos que o fazer nada pode significar fazer tudo, fazer tudo para nós mesmos e nossos iguais.

Não se trata de uma tarefa simples e fácil, mas diante da situação pela qual estamos passando, a melhor alternativa é se proteger física e mentalmente. Fisicamente no sentido de manter-se o mais seguro possível, seguindo todas as recomendações dos especialistas em saúde. E mentalmente no sentido de culpar-se menos, cobrar-se menos e sentir mais. Permita-se vivenciar suas emoções, permita-se conhecer a si mesmo. Essa situação um dia vai passar e quando passar será que estaremos mais fortalecidos e mais próximos de nós mesmos?

Anderson Pereira

Psicólogo Clínico – CRP: 06/157814

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Referência:

FEIJOO, Ana Maria Lopez Calvo de.  A angústia. In, A existência para além do sujeito: a crise da subjetividade moderna e suas repercussões para a possibilidade de uma clínica psicológica com fundamentos fenomenológico-existenciais. 1ª Ed. – Rio de Janeiro: Viaverita, 2011.

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